Qualquer empresário gráfico que se preze deve saber que, em relação a vários outros países, o setor gráfico brasileiro teve seu início com certo atraso. O Brasil foi um dos últimos países do mundo a implantar a tipografia e somente três séculos e meio após a invenção da prensa com tipos móveis, por Gutenberg, é que surgiu a imprensa brasileira.
O ciclo de atraso só veio a se romper há, mais ou menos, cinquenta anos, quando o setor gráfico passou a ser um dos que mais se desenvolviam tecnologicamente. Fatos importantes, como a implantação da informática no meio gráfico, a tecnologia da informação e grandes avanços em eletrônica, transformaram a indústria gráfica em um setor que cresce ano após ano. Já não existe mais a grande defasagem entre o Brasil e outros países.
Um dos principais fatores que também contribuíram para um ambiente favorável à produção gráfica foi a implantação do que se chama Sistemas de Ensino. Estes são responsáveis pela produção de conteúdos e materiais didáticos para os diversos setores e níveis da educação. Todo o ambiente favorável fez com que os investimentos em tecnologia gráfica fossem cada vez mais altos.
Em meio a esses aspectos positivos, no entanto, surge um novo problema. O entusiasmo com tantos avanços tecnológicos fez com que os empresários do ramo começassem a investir demasiado em tecnologia gráfica. Não haveria nenhum problema nisso, não fosse o esquecimento em relação a outros investimentos tão importantes como este. Como exemplo, investimento em qualificação de mão de obra. A ausência desse tipo de investimento provocou uma enorme carência de profissionais qualificados para operar em máquinas de tecnologia avançada.
A necessidade de investir em formação profissional e treinamentos há muito foi prevista. Em ocasião do V Congresso Mundial da Indústria Gráfica, realizado em maio de 1989, no Rio de janeiro, já se presumia a carência de mão de obra qualificada em diversos setores da indústria. O setor gráfico, portanto, não poderia ficar imune.
Nota-se, então, a grande importância de entidades que prezam pela educação/qualificação da mão de obra, como as Escolas de Artes Gráficas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), a Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) etc. Essas entidades carregam consigo, dentre outras, a missão de qualificar e aprimorar os profissionais do setor (e de outros setores) por meio de cursos, seminários, treinamentos.
Reconhecendo a importância disso, a Abigraf-PI, ao lado do Sigrat e em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Piauí - FIEPI, tem procurado proporcionar aos seus associados a participação em eventos desse caráter, com o intuito de estimular à qualidade das produções. Inclusive, tem-se pleiteado, junto à CNI, a melhoria das Escolas de Artes Gráficas já existentes. Esse é um estímulo a investimentos que não visem apenas ao avanço tecnológico, mas à mão de obra especializada e, claro, bem informada.
É nisso que as empresas devem, também, investir e continuar investindo. A educação deve ser continuada. A final, as transformações no mercado não param e as empresas precisam estar preparadas para atender aos desafios das demandas provenientes do surgimento de uma enorme variedade de mídias digitais e da imperativa disposição de convergência das diversas tecnologias.







